sábado, 6 de maio de 2017

Votação e apuração eleitoral na França

Por Almir Quites


Amanhã, domingo, 07/05/2017, acontecerá o 2° turno da décima-primeira eleição presidencial da Quinta República Francesa, disputada entre Emmanuel Macron e Marine Le Pen. O presidente eleito recebe um mandato de cinco anos, sucedendo François Hollande, que preferiu não concorrer a um segundo mandato. O primeiro turno foi realizado no dia 23/04/2017 e seus resultados foram oficialmente anunciados 5 horas após o fechamento das urnas. 

Lá, o eleitor recebe uma tabela impressa na entrada da cabine de votação (também é fornecida através do correio), bem como um envelope. Ele entra na cabine e insere o voto no envelope. Depois, após a identificação pessoal, coloca o voto na urna transparente (ver a foto). Neste momento, seguindo a tradição, um dos funcionários diz alto "um voto!". Este é um cerimonial que tem duplo significado: "a vontade deste eleitor será computada" e "um dever cívico foi cumprido". Então o eleitor assina a lista de votantes e seu cartão eleitoral é carimbado.

Na França, cada município faz a apuração dos votos de modo totalmente independente e depois é feita a totalização de todos os municípios. Quase todos os municípios optaram por utilizar voto de papel e a apuração manual. Apenas 64 dos mais de 35.000 municípios utilizaram urnas eletrônicas. O voto eletrônico está em desuso. A cada ano se reduz o número de municípios que ainda utilizam a urna eletrônica. Desde 2007 está proibida a expansão do uso das urnas eletrônicas porque foram consideradas pouco confiáveis, não transparentes, além de considerarem a ineficácia de auditabilidade (verificação transparente da lisura do processo). No entanto, os municípios que já haviam adotado o voto através das máquinas eletrônicas foram autorizados a continuar usando-as. Estes são menos que 0,2% do total de municípios. Depois da apuração manual, as urnas são lacradas e permanecem a disposição para recontagens posteriores.

A França é tecnologicamente mais avançada que o Brasil, mas sabe que a votação e a apuração eletrônicas são suscetíveis a fraudes de informática (feitas por programadores), as quais não deixam rastros para que se possa fazer provas judicialmente aceitáveis. Os franceses sabem que eleições em urna isenta de circuitos eletrônicos são mais seguras. Além disso, a apuração de cada urna não leva mais que uma hora. Todas as urnas são apuradas simultaneamente e, após a emissão do boletim de resultado e de sua publicação (inclusive na internet), a totalização pode ser feita pelo órgão oficial e também por qualquer organização interessada (totalização paralela). Os votos de cada urna podem ser recontados para dirimir dúvidas. Portanto, tanto a apuração das urnas, como também a totalização geral dos votos, podem ser conferidas. O resultado da eleição, tal como aconteceu no dia 23/03/2014, pode ser anunciado no mesmo dia. Então, para que urna eletrônica? 

Amanhã, domingo, os franceses votarão. Você verá, pela TV, os franceses inserindo os votos de papel em urnas de plástico transparente (desenergizadas). A apuração será manual. Amanhã mesmo você saberá o resultado.

No ano passado houve o famoso plebiscito do BREXIT no Reino Unido. Lá também as urnas eletrônicas não são aceitas. Para saber mais sobre a apuração dos votos no Reino Unido, continue lendo aqui:
NADA DE URNA ELETRÔNICA NO REINO UNIDO.
http://almirquites.blogspot.com.br/2016/06/nada-de-urna-eletronica-no-referendo-do.html

No Brasil, há um mito em torno da urna eletrônica que foi criado pela maciça propaganda do governo. O povo ainda acredita que o Brasil é pioneiro na apuração eletrônica e que detém uma tecnologia que os demais países não possuem. MENTIRA! O mundo todo sabe que o processo de apuração eletrônica não pode ser adequadamente fiscalizado. É por isso que caiu em desuso.

Por que o governo gastou tanto recurso público em propaganda da urna eletrônica brasileira? Qual  foi o motivo? Afinal, a urna não estava a venda!

Aqui no Brasil, em 2015, conseguiu-se que o Congresso (pela terceira vez) aprovasse o uso do voto eletrônico impresso, ao derrubar o veto da presidente Dilma Rousseff. O voto impresso também não é melhor que o voto de papel com apuração manual, mas, pelo menos, permitiria uma recontagem manual para uma verificação por amostragem. No entanto, acredito que, assim como ocorreu nas outras vezes, a Lei aprovada pelo Congresso e sancionada pela Presidência da República (após a derrubada do veto presidencial) não será respeitada. Continuaremos sem possibilidade de conferir a lisura da apuração. 😕

Será que, no pelotão dos países, só o Brasil está de passo certo? 

Veja um esclarecimento mais interessante e mais completo sobre esta questão. Clique aqui:
URNA ELETRÔNICA OU URNA DE LONA (artigo escriito há quase 4 anos)
http://almirquites.blogspot.com.br/2013/10/urna-eletronica-ou-urna-de-lona.html


POVO ILUDIDO, POVO VENCIDO!

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